Apresentação.




Não poucos me dizem que no blog que mantive ativo de dez/2009 a ago/2014 se encontravam os textos espíritas mais importantes e polêmicos dos últimos tempos. Eu não tinha ciência de que assim repercutiriam, de que estava produzindo tal coisa. Mas doutros, o que esperar ouvir sobre um adepto da doctrine spirite de Allan Kardec por se dedicar ao desmonte da suposta infalibilidade de Chico Xavier ou da pretensa superioridade de Emmanuel e André Luiz? Uma irmã na causa confidenciou-me que eu havia abalado sua fé. Como pode ser? Que espiritismo é o nosso? Nunca lancei qualquer dúvida sobre um princípio sequer da nossa doutrina.


Porém, tanto que se apresenta nessa condição, sem possuir tal característica, não mereceu de mim pudores, porquanto o spiritisme francês também não recebeu dessas investidas mais que a trama urdida do esquecimento de sua vigorosa lógica kardecista. Infelizmente, graças a elas, espiritismo não há passado senão por culto ingênuo, temerário fascínio, sempre identificado à generalidade do irmão mais velho, o spiritism estadunidense, surgido no contexto do spiritualism inglês, também por vezes adjetivado new.


Oxalá os adeptos do spiritisme, a doctrine spirite de Allan Kardec, não prossigam por mais décadas nas trilhas de tão lamentáveis obscurantismos e se dediquem a plantar, em todo campo, as douradas sementes do pensamento kardeciano, ainda capazes de potencializar alvissareiros destinos a nossas teses e práticas.


Para além de textos ditos polêmicos, há aqui, antes de tudo, peças voltadas para as transversalidades dessa doutrina; são aqueles mesmos ensaios críticos ora reagrupados e revisados, objetivando leitura harmônica e, sobretudo, fluida, para tempos de portabilidade e dinamismo tecnológico.


Este volume I é mais dedicado a objetos dos labores do mestre espírita em si, a temas mais intrínsecos aos escritos de Allan Kardec; diferentemente do volume II, no qual predomina ótica que se obriga a tomar por análise labores extrínsecos às obras fundamentais da doctrine spirite, para dimensionar-lhes consequências em prol de reflexões oportunas, mais que urgentes em face da hora extrema desse ideário.


Saúde e paz ao heroico leitor.